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Humanismo Radical


Fonte: www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=8885

Humanismo radical - Portal Vermelho Humanismo radical - Portal Vermelho Maria Valéria Duarte de Souza Humanismo radical Na medida em que o capitalismo avança em suas contradições, utiliza como um dos recursos para manter inalteradas suas condições de reprodução, a ampliação da barbárie sobre pessoas, povos e nações. Paralelamente a esse processo, assistimos também a proliferação de discursos humanistas que, sem colocar em xeque as causas das violências e das brutalidades que desumanizam o mundo, apelam para noções abstratas de paz . O conceito de “humanidade” não existe desde sempre. Reconhecer no outro a humanidade que reconhecemos em nós próprios é uma noção relativamente recente se considerarmos que ela começa a delinear-se somente a partir dos séculos XV e XVI, quando, na Europa, a visão teocêntrica do mundo medieval vai sendo substituída pela visão antropocêntrica no âmbito de um processo que se articula com a ascensão da burguesia. Em períodos históricos anteriores, seja na Idade Média ou no mundo antigo, a noção de que todos os seres humanos pertenciam a uma mesma “humanidade” simplesmente não existia e, mais ainda, não fazia sentido para um mundo dominado por aristocratas que não enxergavam nada para além de si mesmos e de seus privilégios. No mundo grego da antiguidade, a grande referência civilizatória do Ocidente, a “humanidade” não estava presente. Não estava presente nos universais de Platão (428-27a 348-47 a.C) nem no cosmos hierarquizado de Aristóteles (384 a 322 a.C). Platão, que foi contemporâneo da Guerra do Peloponeso (1), certamente soube como Atenas tratou os habitantes da ilha de Melos quando estes, desejando manter neutralidade no conflito, recusaram a submissão àquela cidade-estado. O episódio, narrado por Tucídides na sua monumental “História da Guerra do Peloponeso” mostra como a democrática Atenas considerou inaceitável a não submissão de Melos por entender que a pequena ilha, não possuindo um exército forte capaz de defendê-la, deveria submeter-se a uma potência militar. A lógica era simples: os mais fracos devem submeter-se aos mais fortes. Assim, Melos insistindo em não submeter-se, foi invadida por Atenas. Sua população masculina em idade militar foi executada, enquanto mulheres e crianças foram condenadas à escravidão. (TUCÍDIDES,2001. Livro V, p.346/354). Para os atenienses não existia, portanto, “humanidade” no mais fraco. Na Grécia antiga ou em tempos mais recentes, inclusive em nossa época contemporânea, o mais fraco e o diferente continuam tendo a sua humanidade negada , o que, em tese, torna aceitável o seu extermínio. Assim, a violência contra povos e nações que não se enquadram na lógica dos interesses das grandes potências econômicas e militares, assim como também a violência contra moradores das periferias das grandes cidades, não causa grandes comoções, como se humanos não fossem. Isto nos leva a pensar que, hoje, a noção de humanidade, embora não cause estranheza, como poderia causar a um grego da antiguidade, é, na maioria das vezes em que é invocada, uma mera abstração. Discursos humanistas proliferam. Porém, não há perspectiva huma
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